ONDE TUDO COMEÇA

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

HOMENAGEANDO ANITA


MISTÉRIOS LUMINOSOS


Anita cheia de graça,
Anita cheia de luz,
Nos olhos de Anita cantam pássaros.
O riso de Anita 
é um riso de flores se abrindo: 
exala a quietude das horas e os mistérios da vida.
Em seu peito
Entre sons e silêncios
raízes respiram...
E de suas mãos, 
despertam estrelas
que se transformam em borboletas
e saem voando pelo jardim!

Abençoada seja, linda Anita, em sua caminhada cheia de vida!

(Homenageando a amiga, Anita - hoje com 69 anos - sobrevivente de um câncer de tumor de cabeça de pâncreas, já há 11 anos. Retirou na ocasião parte do estômago, a cabeça do pâncreas, o baço e parte do duodeno. Está linda e cheia de vida e completamente livre do câncer, graças a Deus!)



terça-feira, 8 de novembro de 2016

GIVE IT A TRY




Mas eu... o que sei da vida, querida?
Apenas que teus olhos me fitam
e com doçura e encanto
me dizem:
- Vai! Give it a try!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O QUE É ETERNO SE MOVE



Meu peito se enche de vida
Minha alma vibra
E meu corpo se põe a dançar
no fluxo do momento.

Sou linha.
Sou cor.
Sou ponto.
Poesia.
Uma história em movimento.

Trama e tessitura.
Vento e sombra.
Fogueira acesa.
Água.
Um grão de areia.
Botão de flor se abrindo.
Pétala murchando.
Semente.

Meus dedos são pincéis
colorindo um chão de areias incertas,
desenhando um céu de nuvens inquietas.

Provo de mim mesma:
bebo o suor
que do meu rosto escorre.
Ele me salga a boca com seu gosto de mar
e me faz lembrar a onda que eu sou
e que um dia se quebrará na praia.

Passarei.
Passarás.
Passarinho e passaredo.
Longe de mim o medo.
O que é eterno se move!


HISTÓRIAS PARA AQUECER A ALMA E O CORAÇÃO

Desde os tempos imemoriais...
Resgatando uma forma de curar...

Enquanto os lobos uivavam ao largo na escuridão da noite, nossos antepassados acendiam a fogueira e ao pé do fogo contavam histórias entre si. E assim - contando histórias - aqueciam o corpo, a alma e o coração e aprendiam como afastar seus medos da escuridão.

Para os medos que crescem e não param
vamos iluminar nossas almas e aquecer nossos corações, nos dedicando lindas histórias!

Eis um livro bem sugestivo!!!





domingo, 6 de novembro de 2016

SOB A LUZ DE UM NOVO DIA!



Acordo e de minha janela vejo a manhã que desponta.
Deitada na cama, me espreguiço.
Meus olhos contemplam admirados a paisagem que se descortina. 
É ruidosamente linda e exuberante de vida em sua singeleza movida a sons e silêncios:
Um céu com nuvens brancas em movimento. 
Uma nesga de azul se revelando.  
O pé de manequim em frente dançando alegre ao vento. 
O bem-te-vi cantando ao longe...

Me digo:
É a vida te chamando: 
- ponha vida na tua vida, 
- ponha vida no teu dia,
- desperta para os segundos que fluem,
- anda, levanta, enche teu coração de alegria

e agradece a bênção que se derrama sobre a luz deste novo dia!


Obrigada, Meu Deus, por esta linda manhã abençoada de domingos e de vida que mora em mim!


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PARA SER LIDO EM FORMA DE ORAÇÃO...





Que desça a luz deste novo dia
sobre tudo o que vive e respira.
E que essa luz 
nos lave e nos preencha,

nos cure e nos pacifique,

nos acolha no movimento da Vida 
com graça
com beleza,
com encanto,
com amor 
e, sobretudo,
com alegria!


Que assim seja
E que assim se faça
sob as bênçãos do Infinitamente Criador!



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

MAIS ALÉM DO SILÊNCIO...





Vá, calmamente, entre o barulho e a calma das horas
lembrando-se da paz que somente existe no silêncio:
Busque nele a sua, a cada momento, no movimento do dia:
Abra espaço para a alma respirar.

Ultrapasse sempre que puder seus limites,
com carinho,
com amor
com respeito por quem você é.
Seja disciplinada, mas, sobretudo,
Seja gentil consigo mesma, sempre!
Chore suas tristezas mas lembre-se de que
tudo na vida muda a cada instante!

Visualize seus sonhos
Goze suas realizações
Mantenha-se encantada e curiosa pela rica vida que se desenrola ao seu redor:
árvores, flores, raízes, sementes, frutos,
nuvens, estrelas, crianças, pássaros, aranhas,
formigas, besouros, borboletas,
cães, gatos, lagartixas,
peixes, minhocas, baleias, pessoas...
Somos todos UM nesse Universo mágico e misterioso!

Cuide-se:
Boas gargalhadas fazem bem à saúde,
aliviam as cargas externas e pressões internas,
inspiram esperanças
nos conectam com os demais,
nos mantêm alertas e em equilíbrio
Ativam nossas endorfinas!
Vibre sempre na frequência da alegria!


sexta-feira, 30 de setembro de 2016



- Você tem fome de quê? 
Você tem sede quê?

- VIDA, VIDA, VIDA!!!

Que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja 
INFINITA
 INTENSA
MÁGICA
APAIXONANTE
ENCANTADORA
DESLUMBRANTE
enquanto dure...

seja vibrando de prazer
ou tremendo de frio;
tangida pela dor
ou acolhida pelo amor e pela alegria!!!



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A DOR E A DELÍCIA DE SER HUMANAMENTE O QUE SE É...




A DOR E A DELÍCIA 
DE SER HUMANAMENTE O QUE SE É...  


A POUSADA

O Ser Humano é como uma pousada
Cada manhã um novo convidado chega
Uma alegria, uma depressão,
Uma consciência momentânea aparece
Como um visitante inesperado
Dê boas vindas e acolha a todos
Até mesmo se eles forem uma multidão de tristezas
Que violentamente agitam sua casa
E esvaziam toda sua mobília
mesmo assim, honre a todos os seus hóspedes.
Eles podem estar clareando você com algum novo deleite
Um pensamento obscuro, uma vergonha, 
receba-os sorrindo à porta, e convide-os a entrar.
Seja Grato a quem vier, 
porque todos foram enviados 
como guias do além. 
(Rumi)


Joan Borysenko em seu livro Cuidando do Corpo, Curando a mente, (p.167),  fala que há 3 atitudes perante as emoções que permitem seu uso construtivo:
  1. É humano e natural sentir emoções. As emoções são o sal da vida;
  2. Você tem o direito de sentir o que quer que seja, quer as emoções se justifiquem ou não. Nem você nem ninguém tem o direito de lhe dizer que não deve sentir como está se sentindo.
  3. As emoções negativas são uma grande oportunidade para aumentar o autoconhecimento. É somente através da aceitação de nossas reações a nós mesmos, a situações e aos outros que podemos discriminar os escusos departamentos do ego.

E ela diz mais: 
“As emoções negativas não são ruins. Elas são humanas. Na maioria das vezes são adequadas. (...) Quando se fica doente, a resposta mais natural é sentir-se deprimido perante o que se perdeu e talvez com raiva e frustrado. Embora não se precise ficar preso a esses sentimentos, é por aí que muita pessoas começam. A reação natural à dor é a raiva. (...) Esconder as emoções acreditando que não tem o direito de senti-las e portanto sentir-se impotente é o que leva a um estado emocional mais perigoso, pelo menos em alguns casos, a um pior prognóstico.
As únicas emoções negativas são as emoções que você não permite a si próprio e aos outros senti-las. As emoções negativas não o prejudicarão se você expressá-las de forma adequada e em seguida abandoná-las. Segurá-las é muito pior.”

Fiquei super feliz quando “ouvi essas palavras. Eu já estava me achando meio culpada por estar me sentindo um tanto ou quanto arrasada, obsessiva e ansiosa diante do novo tratamento, uma quimioterapia que está me fazendo perder os cabelos. Os protocolos que até então eu vinha fazendo não me levaram à perda dos cabelos e eram mais brandos. 
Como forma de alívio, sempre encontro nas palavras e numa conversa com ouvidos amigos uma forma de conforto e desabafo. Mas dessa última vez, ao falar por diversas vezes sobre esse assunto que estava me angustiando bastante, ouvi os seguintes comentários de duas amigas distintas: - Você está muito focada na doença. Esquece a doença. Foca na vida! Pensa em outras coisas e etc...” 
E aí fiquei um tanto ou quanto surpresa, me senti incomodando com esse papo desagradável para o outro e também chateada por me sentir incompreendida. Pô, na verdade, estou vivendo um momento especial, diferenciado e sobretudo totalmente novo para mim em todos os sentidos: novo no visual, novo nos efeitos colaterais no corpo, novo porque tive que implantar em meu corpo um catéter, novo porque o protocolo exige exame de sangue duas vezes por mês num intervalo de quinze dias, novo porque as aplicações se realizam em três semanas consecutivas para totalizar um ciclo de 21 dias... Enfim... é tudo novo e de uma novidade diferente! E tenho que estar bio-emocionalmente disponível para aceitar e compreender tudo isso da melhor forma possível, entendendo que posso ser bastante feliz apesar de todos esses percalços. Fazer-me feliz. Me dar essa felicidade. Me dar esse direito, me dar esse estado! Pensar que o importante é viver bem e com qualidade de sentir e apreciar a vida  desperta dentro de mim a cada dia. Mas preciso de tempo para assimilar todas essas perdas. Preciso de tempo para esse “luto”. E preciso verbalizar, desabafar, colocar para fora todo esse sufoco. Sei que nem todo mundo quer ouvir falar sobre doença. Mas eu procuro não me abrir com “todo mundo”. Poupo os ouvidos de muita gente com minhas chateações do tratamento. Pra grande maioria, sempre digo que está tudo ótimo... E quando me abro emocionalmente, procuro aquelas pessoas que acho que vão me entender ou estar mais emocionalmente disponíveis para me ouvir. Uma das amigas ora envolvida, inclusive, já passou pelo câncer. Ok... Estou mudando de assunto... puxando meu freio de mão, ou melhor, de língua...  Descobri que não é bem assim. Tudo bem! Daqui pra frente, vou procurar segurar minha “onda”. Mas... saber que posso sentir o que quiser, que quaisquer sentimentos são naturalmente humanos e permitidos me deixa extremamente feliz e confortável dentro de minha própria pele. Não sou uma ET! E muito menos uma chata ou desfocada! Vibram em mim todas as dores e delícias de ser humana. Que maravilha!








terça-feira, 1 de dezembro de 2015

RITUAIS COMO FORÇA CURADORA



RITUAIS

RITUAIS SÃO:
Entrada num sagrado espaço da mente;
Uma forma de honrar a essência de nossa humanidade;
Reconhecimento do poder das forças invisíveis que curam e conectam e transcendem;
Ritos de separação de velhos modos de ser e pensar e agir e integração de novos modos de viver;
Comunicação e celebração, solenidade e ocasião para profundo silêncio interior;
Formas que todas as sociedades usam para dar significado, riqueza e estrutura à vida;
Cerimônias sagradas.
(Jeanne Achterberg)



Dezembro chegou e com ele a consciência do findar de um ciclo. 2015 vai se despedindo lentamente no fluir das horas e dos dias. Foi um ano mundial e nacionalmente tumultuado, marcado por guerras, desastres ecológicos e muita corrupção política aqui no Brasil. Em minha vida pessoal, inaugurei a quimioterapia com o taxol e pela primeira vez vejo meus cabelos ralearem e caírem. É uma fase totalmente nova para mim. Quero sobretudo que a quimio dê certo, que meu corpo responda ao tratamento, que eu consiga emocional, espiritual e mentalmente promover as necessárias mudanças para que isso possa acontecer e se refletir em nível físico. Ainda ando muito tumultuada nessa área sutil de mim mesma. Ainda me destempero com facilidade. Ainda sou superficial e me deixo agitar pelos acontecimentos a minha volta. Parece - e isso é quase certo! - que não fiz o dever de casa emocional e espiritual que deveria fazer, priorizando o que deve ser priorizado, descartando o que deve ser descartado, celebrando rituais para fechar ciclos e abrir outros novos. O monge beneditino Alnselm Grün, da Abadia Münsnsterschwarzach (Alemanha), explica que os rituais estruturam a vida e lhe dão profundidade e cor. Ele diz que rituais fecham uma porta e abrem outra porta. "Esta imagem é válida para os ritos de passagem: para o nascimento e a morte, para o dia e a noite, para o trabalho e o lazer. Se a porta do dia não for fechada à noite, não podemos adentrar a noite de maneira apropriada. O dia irá marcar a noite e muitas vezes não nos deixará dormir direito, quando nós não conseguimos encerrá-lo de forma consciente". De acordo com ele, rituais não têm nada a ver com produtividade. Eles querem ser justamente o contrário. Querem preservar um espaço livre em meio às exigências da vida, em meio às situações de estresse, no qual se possa respirar, no qual se possa apreciar o ter tempo para si, um tempo sagrado, do qual ninguém poderá dispor.
Achei essas colocações perfeitas. Tenho abandonado isso ou me esquecido disso. Vou vivendo meio que no piloto automático dos acontecimentos e quando me dou conta as horas já passaram, os fatos me engoliram o dia já findou, a noite chegou e pouco dei atenção ou abri espaços para os necessários encontros de cura comigo mesma.

Hoje, ao acordar, quando fiz a chamada geral dos ossos para o despertar, como dizia meu marido, senti a região do meu quadril esquerdo dolorida. Estou estranha do lado esquerdo dessa região. Ando e pontadinhas de dor vão se revelando. Pergunto-me o que pode ser, mas na verdade de nada sei. Não quero fazer suposições de algo pior evoluindo ou acontecendo dentro de mim. Ter câncer é isso aí: uma eterna surpresa, um eterno cuidado, um possível e constante estranhamento. Ao acordar, fui logo para o espelho fazer uma maquiagem. Acordo parecendo um frango esganiçado que acabou de ser depenado ou de levar uma surra. Os cabelos ralos, os olhos com poucos cílios, a sobrancelha rarefeita tudo contribui para deixar a aparência como se fosse uma alma do outro mundo acabando de encarnar... rsssss... Impossível não tentar brincar fazendo uma comparação dessas! Temos que rir da tragédia que nos abate. Sempre! Tornar mais leve as coisas pesadas é fundamental. Bom, mas como ia dizendo, diante do espelho, aos pouquinhos vou devolvendo a mim uma aparência que julgo mais razoável e bonitinha. Me arrumo, me pinto e me enfeito como posso. Outro dia estava pensando nesse novo “romance” com  essa minha nova aparência. É uma lua de mel. Uma fase de imersão, mergulho nas novas imagens e sentimentos que desabrocham, procurando um reconhecimento do que ficou e do que se foi. Lamentos, choros e lágrimas silenciosas são por vezes inevitáveis, por isso, busco um novo casamento, novas bodas com essa nova aparência que desponta irreversivelmente sem ser desejada ou convidada mas que faz parte do tratamento, faz parte da cura, faz parte da jornada, faz parte da travessia. Costumo dizer para mim mesma palavras como romance, enamoramento, lua de mel, paixão porque estou despertando de fato para uma conquista de mim mesma, de minha nova aparência e derramando sentimentos de amor, aceitação e gratidão por esse novo ser que em mim se revela nessa nova fase. Uma nova estação. É apenas isso! E está se me abrindo diante dos olhos trazendo-me ao encontro de uma nova realidade até então desconhecida, não vivida, não experimentada nem na carne, nem na alma. Ontem ouvi a entrevista de Mark Nepo (http://fivetothriveplan.com/thrive-thoughts/category/iheartradio-exploring-inner-transformation) e ele fala em milagres e fala na jornada de coração aberto, permitindo que a Luz entre e se manifeste neste nosso caminhar. Meu lado espiritual anda meio abandonado ou bastante superficial. Gosto de pensar que nada é por acaso, como afirma Elizabeth Kübler-Ross. Gosto de pensar que não existem coincidências. Que tudo está interligado. Que esse adoecimento faz parte de minha jornada de crescimento espiritual por esta vida. Be “open-heart”, recomenda ele. Ou seja, procure estar aberta e sensível para tudo que se manifesta a sua volta e lhe ensinando. E o mantra é: Me tornar uma aluna da vida. Ver cada acontecimento como uma lição. 

Devo dizer por outro lado que hoje estou meio assustada. Meu corpo me envia sinais de dor aqui e ali. Agora, por exemplo, na região do timo. Não sou de incomodar santos pedindo-lhes favores ou milagres. Tenho dificuldade para isso. Será um sentimento de onipotência??? Mas quero ardentemente um milagre: a remissão espontânea deste câncer!

Joseph Campbell fala que os rituais para os povos primitivos tinham como significado maior não o de controlar os acontecimentos, mas o de submissão aos aspectos inevitáveis do destino. Penso então que os rituais vêm para nos fortalecer, nos encher de coragem e capacidade de enfrentamento das adversidades e desafios que se colocam a nossa frente. No meu caso específico, o enfrentamento do câncer. Então que venham os rituais como parte do tratamento, coadjuvantes da cura! E que sejam abençoados  e alimentados pela cura através dos Deuses e Deusas, fontes da sagrada energia que a tudo permeia neste Universo!



segunda-feira, 23 de novembro de 2015




 A EXPERIÊNCIA DO SAGRADO,  
MINHAS PEQUENAS EPIFANIAS
E MEU SENTIMENTO DE GRATIDÃO


Tenho me perguntado por onde passa minha experiência do sagrado a cada dia. Viver, experimentar, fluir com a presença do câncer em meu corpo a cada momento se traduzindo em algum tipo de linguagem é um sentimento que ora é incômodo, ora parece fazer parte da banalidade e rotina do dia. Só que não é. As horas fluem, a vida escoa e  a cada passo que dou, tudo é sempre muito decisivo, pois, afinal, o tempo não espera  por ninguém e caminha-se sempre em direção ao fim misterioso, aparente ou ilusório de uma existência, cujo sentido maior ou significado mais profundo pouco ou nada sabemos e tudo supomos. 

Meu dia começa quase sempre assim: Acordo, abro os olhos e a primeira coisa que faço é ouvir os sons do dia a minha volta. Estabelecer contato com os ruídos que me chegam nesse despertar me põe em sintonia fina com o ambiente a minha volta: é um cachorro latindo, um bem-te-vi cantando, os pássaros da loja de “pet” em frente em alvoroço, alguém falando na rua, pessoas passando nas calçadas, um alarme de carro disparado, uma buzina, ruídos de algum canteiro de obras, a labuta do dia em movimento... Em seguida, entro em contato com meu corpo. Às vezes, esse contato me vem em primeiro lugar, quando é uma vontade maior de ir ao banheiro ou alguma dor que se manifesta. Tento me lembrar dos sonhos da noite... Uma tarefa quase sempre difícil... Algumas vezes, consigo; outras, não.  E nessa linha de sucessão, me despertam os sentimentos: uma pontada de tristeza, uma lágrima que salta inesperadamente ou um lampejo de alegria, um sorriso espontâneo; ou, ainda, uma saudade, uma lembrança repentina, um desejo rodopiando no ar... Varia muito esse cardápio sempre tão surpreendente de sentimentos do dia dentro de mim. E assim meu ser desperta e meu dia começa: passo em revista mentalmente as coisas que tenho que fazer: compras, comida para almoço, pagamentos... E neste exato momento me digo: "- Meu Deus, se viver é sagrado, o que há de sagrado nisso?  Qual a diferença entre o sagrado e o profano em minha ordinária vida? Quais são minhas epifanias?" Bom... Talvez, nenhumas. Talvez sagrado seja isso mesmo: VIVER esse missal das horas no rosário do dia! Talvez sagrado seja exatamente permitir que toda essa trivialidade de gestos que fazem minha vida de cada momento fluir, acontecer, se desenrolar, seguir em seu ritmo normal se dê de forma consciente dos movimentos externos e internos que me invadem como se fôssem  uma prece. Talvez sagrado seja permitir que meus gestos por mais banais que possam parecer, se expressem carregados de prazer, alegria e significado, me permitindo vibrar agradecida e abençoada por estar viva e em movimento, vendo a vida fluir em seus corriqueiros detalhes, sem orgasmos mirabolantes. Porque é desse trivial que meus dias são feitos. Vistos de longe ou superficialmente, podem até parecer rotineiros e vazios, mas não são. São plenos de sentido. Nutridos de sentimentos. Há neles gestos de carinho, sonhos, desejos, medos, dores, alegrias... Basta que eu preste atenção ao que emerge do fundo de mim mesma em cada gesto, em cada pensamento que lá vejo o bordado do medo ou da insegurança, o desenho da alegria ou do desejo da saúde de volta, a tão almejada paz de espírito... Está tudo lá, cintilando, borbulhando seus vapores no ar que eu respiro, subindo à superfície e descendo dentro do grande caldeirão que sou eu mesma... E vêm com todas as cantorias e afazeres simples do dia, embrulhados e se confundido nas coisas aparentemente tão triviais. E que na verdade são realmente comuns  porque fazem parte do dia a dia, não trazem nenhuma chama ou brilho especialmente luminoso ou diferente, não têm o carisma nem o condão de super poderes vindos do além, não levitam no espaço, não se movem sozinhos, não emitem sons por conta própria, enfim, estão lá em seu lugar como sempre estiveram, mas são especiais porque fundam a base do dia. A base do meu dia. É por esses caminhos que transito. Eles têm significado para mim. São verdadeiros, reais, autênticos. Não fazem parte de nenhuma ficção ou fantasia. Sem eles minha vida não ganha chão. É por ali que minha existência minuto a minuto vai ganhando ordem e consistência. Se isso é sagrado ou não, não sei dizer. Só sei que me sinto feliz diante da consciência dessas aparentes banalidades que, ao abrirem meus olhos, me trazem o dia de volta após uma noite de sono e me fazem dizer: 

Bom dia, Luz do dia, 
que me traz alegrias e boas energias! 
Estou viva... 
Amando viver...
E a vida flui...
Obrigada, meu Deus! 


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A JORNADA DO HERÓI OU DA HEROÍNA



A JORNADA DO HERÓI OU DA HEROÍNA





"Heróis são simples seres humanos que aceitaram suas condições,
viveram todas as circunstancias da vida, caíram e se levantaram,sem medo de ser feliz..."
(não sei de mais de quem é a autoria)




quarta-feira, 18 de novembro de 2015

SAÚDE E XAMANISMO



Saúde e Xamanismo...

Para as sociedades xamânicas, a finalidade (da própria vida) é o desenvolvimento espiritual.
Saúde é estar em harmonia com a visão de mundo.
Saúde é uma percepção intuitiva do universo e de todos os seus habitantes como seres de um único estofo. 
Saúde é comunicar-se com animais, plantas, estrelas e minerais.
É conhecer morte e vida, e não ver entre elas diferença alguma.
É misturar e fundir, procurando o isolamento e o companheirismo para compreender nossas múltiplas identidades.



Ao contrário das noções mais " modernas", na sociedade xamânica, saúde não significa sentir nada; nem significa ausência de dor.
Saúde é buscar todas as experiências da Criação e vivenciá -las, sentindo sua textura e seus múltiplos significados.
Saúde é expandir-se para além do próprio estado de consciência para experimentar os sussuros e vibrações do universo."

(Jeanne Achterberg, A Imaginação na Cura - Xamanismo e Medicina Moderna, p. 25)



AMOR, ENERGIA E PODER CURATIVO



AMOR, ENERGIA E PODER CURATIVO

"Muitas pessoas falam sobre energia. Embora a medicina alopata ocidental não tenha muito a dizer sobre o modo pelo qual o fluxo e a troca de energia afetam nossa saúde - para melhor e para pior - essa idéia é um conceito fundamental em muitas das várias correntes de medicina não-alopata. A medicina ocidental não incorpora conceitos que são  agora parte convencional da física, como a famosa equação de Einstein, E = mc2 (energia é igual a massa vezes o quadrado da velocidade da luz. Paradoxalmente, essa equação que levou à produção da bomba atômica também é a base de um dos conceitos mais fundamentais da cura. Nas palavras de Einstein, "Massa (isto é, matéria) é apenas uma forma de energia." Segundo várias opiniões, a doença começa com perturbações da energia que só mais tarde se manifestam fisicamente. Em contraste, um dos mais profundos fatores que favorecem o livre fluxo da energia é o amor."

(Dean Ornish, em Amor e Sobrevivência - Diálogos sobre Ciência e Mistério, p. 166)



LUZ, CURA, VISUALIZAÇÃO




LUZ, CURA, VISUALIZAÇÃO

Durante muito tempo, considerei o câncer como um inimigo, um alienígena, um verdadeiro invasor que, como tal, deveria ser combatido, aniquilado, extirpado do território do meu corpo. Tanto que o nome deste blog surgiu dessa concepção. Assim que descobri a recidiva criei o blog e li o livro A Arte da Guerra com objetivo de melhor entender como deveria me comportar como uma guerreira, tanto no plano físico-espiritual quanto emocional e psicológico contra o inimigo. Vi meu corpo como um campo de batalha em presença do adversário - o câncer. Nos meus exercícios de visualização, ocupava-me em montar imagens agressivas e sangrentas de verdadeiras batalhas ferozes sendo travadas entre as células de meu sistema imune e as células cancerígenas de forma a aniquilar estas últimas. Era uma visualização enérgica, movida a muita raiva e agressividade e ao final eu acabava me sentindo exaurida. Nem sempre eu dava continuidade. Nem sempre eu possuía a necessária disciplina para exercitar essas imagens três vezes ao dia conforme recomendado no livro do Carl Simonton e, por fim, eu acabei abandonando tudo isso. 

Muitas outras leituras vieram depois. E com elas muitos outros aprofundamentos e reflexões. Uma compreensão maior ou mais ampliada ou sob novos ângulos a respeito da doença foi surgindo. E nessa linha de percepção, o entendimento de que o câncer não era um alienígena em meu corpo, como um vírus, uma bactéria ou algo do gênero. Ele era apenas um tecido de meu ser adoecido. Uma parte de meu corpo que se encontrava ferida de morte e completamente desorientada e em desarmonia com o restante do conjunto. Não por acaso, me veio ao encontro o poema da Adelia Prado: Eu ponho o amor no pilão com cinza e grão de roxo e soco. Macero ele, faço dele cataplasma e ponho sobre a ferida. Uma bênção poder ter esse olhar sobre a doença. Tempos depois me cai às mãos a história de cura de Shin-Ichiro Terayama já desenganado de um câncer pelos médicos e mandado para casa em sua fase terminal para morrer em paz junto de seus familiares. Em seu relato, ele afirma que acordava diariamente bem cedo para ouvir o canto dos pássaros ainda pela madrugada, assistir ao nascer do sol, respirar e agradecer a Deus por mais um dia de vida e jogar luz e amor sobre as partes adoecidas do seu corpo, ao mesmo tempo que buscava irradiar todo esse amor para tudo a sua volta. Ele se curou e está vivo até hoje! Leia mais sobre ele em: http://issseem.org/content/uploads/files/Bridges%202010_1.pdf
Posteriormente, vim a ler a jornada de cura de uma artrite reumatóide - doença também considerada incurável e deformante - da psicóloga canadense Marie Lise Labonté, utilizando, entre outros recursos médicos, exercícios complementares de visualização deitando luz e amor sobre as partes adoecidas de seu corpo. 

Bom, histórias como essas, acredito existirem muitas. Um trabalho de pesquisa cuidadoso iria revelar maravilhas sendo operadas nesse sentido. O fato é que, fui mudando minha compreensão acerca da doença com nome câncer. Comecei a enxergar sua profunda dimensão e conexão espirituais. Passei a ver as células cancerígenas como mensageiras do apocalipse* que vieram até mim com uma mensagem de minha alma pedindo mudança - de estilo de vida, de atitude, de concepção de matéria e espírito, enfim... de renovação completa - de minha alma! Ou seja, ressignifiquei a doença, dei a ela uma nova interpretação, uma nova leitura. Passei a vê-la como algo que me chegou trazendo uma informação para o bem. E... a partir daí, já com a mensagem completamente decodificada, busco hoje acrescentar ao meu tratamento ortodoxo e convencional - no caso, uma quimioterapia -, exercícios de visualização passando para as células cancerígenas a mensagem de que sua missão está cumprida, de que nada mais há a fazer dentro do território sagrado do meu corpo, de que agora elas devem silenciar uma a uma e partirem para o fundo mais profundo e escuro das águas do mar, onde nenhuma luz ousa sequer brilhar, nem a luz do sol, nem a das estrelas, nem a do luar e de onde elas não devem nunca mais voltar! É esse o diálogo interno que tenho buscado.

Visualização é um trabalho diário. Mais que diário, é um exercício que deve ser realizado no mínimo três a quatro vezes ao dia. É o que dizem todos que dela se utilizaram com sucesso em seus tratamentos de câncer. Portanto... É remédio. Tem posologia. Requer cuidado, atenção, disciplina e seriedade! Tenho procurado isso! Cada vez mais!

(...) a imaginação atua sobre nosso próprio ser físico. As imagens comunicam-se com tecidos e órgãos, e até células, para promover a mudança.”
(Jeanne Achterberg, A Imaginação na Cura, p. 11)




(*) A palavra apocalipse significa revelação