ONDE TUDO COMEÇA

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

SOBRE OUVIDOS ATENTOS E ESCUTAS AMOROSAS





“Certa ocasião, quando pela enésima vez eu tentava comunicar a minha namorada a específica textura do meu sofrimento, ela me interrompeu com um ar de cansaço. “O que você tem’, disse ela, medindo as palavras, “é uma manifestação particularmente dolorosa da condição humana básica. Mas você não é o único. Todo mundo sofre.” Intelectualmente, eu sabia que ela estava certa. Mas ainda queria que ela se chegasse mais a mim, que conhecesse visceralmente a minha angústia específica, para que eu pudesse fugir por um instante de minha desesperada solidão.”
(Marc Ian Barasch - em O Caminho da Cura)



LINFEDEMA, OUVIDOS AMIGOS, ABRAÇOS E MILAGRES


Não sou uma pessoa muito chegada a confissões de desespero. Não sei dizer se isso é bom ou ruim. Por um lado, acho que ser uma pessoa portadora de más notícias para os outros, sejam elas queixas pessoais ou tragédias de outrem é algo bastante desagradável.  Mas, por outro, penso que, em alguns momentos da vida, ficar calada, engolindo a própria tristeza e o próprio desespero não deve ser muito bom e nem fazer muito bem para quem quer que seja. Deve ser por isso  que as religiões criaram o sistema de confissão. Falar alivia a alma. Falar é curativo. E tudo o de que precisamos em horas difíceis é de ouvidos amigos e escutas amorosas. 


Apesar de não gostar de incomodar os outros com meus problemas, sinto que, quando nas minhas angústias, abro meu coração e conto o que está me desesperando, minha alma fica mais leve, meu espírito menos atormentado, meu pensamento mais claro e eu me sinto emocionalmente melhor. O problema é que nem sempre é fácil encontrar um ouvido amigo. Por outro lado também, tenho a sensação de estar incomodando. Ou de que as pessoas não estão interessadas em parar para ouvir. Ou porque estão com um pouco de pressa com algo mais urgente para fazer ou porque não estão muito dispostas a emprestar o ombro ou os ouvidos ou mesmo o colo. Ou porque elas mesmas já têm problemas demais as atormentando no seu limitado pedaço de chão. 


Mas esta semana eu estava tão mal emocionalmente, que tudo o que eu mais queria e de que precisava era de um ouvido amigo. Alguém que me desse colo, espaço para eu abrir meu coração e muito abraço. Eu estava pessimamente carente. E não via uma pessoa na minha frente com quem eu pudesse desabafar. De repente as pessoas estavam lá e até disponíveis, eu, porém, fechada dentro de mim mesma, não conseguia enxergá-las. E aí me deu vontade de morrer! A loucura em mim se instalou rapidamente. E pensei: a hora é essa! Nada mais tenho a fazer nesse mundo. Já cumpri todas as minhas etapas. Está na hora de ir embora. E nesse desespero, nessa angústia toda, nessa depressão que me abateu, eu chorava... chorava... chorava... Me olhava no espelho e chorava mais ainda... Nada, coisa alguma parecia me alegrar ou fazer sentido. Eu me sentia muito cansada. Eu me sentia como se tivesse mil anos, como naquela música do Raul Seixas. Eu me sentia muito velha e encurvada. E tudo ficava lento e arrastado. E me sentia lenta e arrastada. Sem vontade de me levantar da cama. Dar quaisquer passos, andar era dífícil. Era pesado. O dia lindo lá fora, de um sol de outono de uma luz intensa e amena, um céu lindamente azul e sem nuvens, pássaros cantando, folhas se agitando ao vento e eu... cinzenta, triste, abafada, sem ar, sem cor, sem brilho, sem vontade, sem desejo... Sem vontade até de comer! Acho que bem poucas  vezes me senti assim. Se é que me senti alguma vez totalmente assim. No geral, sou da luta. No geral, sinto raiva e reajo, brigo, vocifero, grito... E é essa força que me faz seguir adiante acreditando em dias melhores. Sem ela eu me quebro, como agora, naquele dia de ontem. 


Mas nada acontece por acaso. Ou seja, todos esses sentimentos de desânimo não brotaram do nada. Na verdade, eles já estavam sendo “fabricados” dentro de mim. Há dois anos venho nessa batalha da recidiva. Tem sido um caminho longo, mas que tenho trilhado com bastante ânimo e fé e coragem para seguir adiante. Há dois meses, porém, venho lutando contra um linfedema que se instalou em meu bracinho complicado pela retirada de linfonodos. Nunca em tempo algum anterior eu tivera problemas nessa área. Meu corpinho inteligente sempre deu conta do recado. Mas, agora, de repente, não mais que de repente, sem prévio aviso, as coisas dispararam no sentido contrário. E... o linfedema rapidamente se instalou. No início achei que rapidamente também daria conta dele. E todos os sinais indicativos eram de que tudo iria rolar nesse sentido. Mas... qual o quê! As coisas foram se tumultuando. E as drenagens linfáticas não conseguiram dar conta do recado. E uma ameaça de erisipela começou a se evidenciar e... o fato é que entrei no antibiótico, no antiinflamatório, mais dez mil cremes hidratantes e mais venalot em creme e comprimido e mais todos os chás alternativos possíveis e imagináveis. E tudo isso regado com muita energia, muita boa vibração, muito pensamento positivo, muita fé e crença de que a “tempestade” iria passar. Mas... qual o quê! Já lá se vão dois meses e essa coisa não vai embora e eu estou perdendo as esperanças, com vontade de fugir, com vontade de sumir, com vontade de M-O-R-R-E-R! E tudo o de que consigo me lembrar é o ditado que minha mãe gostava de dizer: - Quanto mais reza, mais assombração aparece!


Ontem à noite, deixei cair o véu, despi-me das fantasias de "a forte e a poderosa" e quando minha filha chegou, eu que nunca gosto de preocupá-la, acabei deixando rolar um pedaço de toda essa profunda angústia e sentimento de desamparo. E ela amorosamente me abraçou, me beijou, me confortou, me ofereceu ajuda e foi dormir junto de mim. Me senti acolhida e amada. Hoje acordei ótima e profundamente renovada e cheia de esperanças e pronta para a luta novamente, cheia de novos planos de combate para este linfedema que tenho certeza irá desaparecer por obra e graça de um corpo que é inteligente, possui sua própria sabedoria e é divino por natureza.  E como acredito tanto em bruxas quanto em milagres, alcançar essa bênção É SÓ UMA QUESTÃO DE TEMPO!E EU AINDA VOLTO AQUI PARA CONTAR!



sábado, 19 de abril de 2014

Eu... INANNA




DESCENDO EM ESTÁGIOS PARA DENTRO DO MUNDO INFERIOR: O MITO DE INANNA  

- I -

Inanna era a Rainha do Céu e da Terra. Atendendo a notícias de que sua irmã a deusa Ereshkigal, Rainha do Mundo Inferior, estava em sofrimento e dor, ela decidiu ir visitá-la. Inanna, erroneamente, assumiu que ela poderia descer facilmente. Ela descobriria, no entanto, que o poder e autoridade que ela possuía no mundo superior não tinha qualquer influência sobre como ela seria tratada no mundo inferior.

Inanna bateu imperiosamente no portão do submundo exigindo que a porta lhe fosse aberta. O porteiro-guardião perguntou-lhe quem era e lhe disse que para que sua passagem por ali fosse possível, havia um preço a pagar. Ela descobriria que não havia somente um portão, mas sete. E a cada um, o porteiro-guardião lhe dizia que ela deveria se despir de algo que estivesse usando a fim de que sua passagem pudesse ser admitida. A cada vez, indignada, chocada ante o fato de que pudesse ser assim, Inanna respondia com as palavras: “O que é isto?” E a cada vez lhe era dito: “Quieta, Inanna, os caminhos do mundo inferior são perfeitos. Eles não devem ser questionados." Seu magnifíco cocar, a coroa que designava sua autoridade, foi removida no primeiro portal. O colar lápis lázuli foi-lhe retirado do pescoço no segundo portal, a dupla corrente de ricas contas caindo-lhe sobre o peito foi-lhe removida no terceiro portal. Ela foi despida de sua armadura no quarto portal, de seu bracelete de ouro, no quinto portal. O cetro e o bastão foram-lhe retirados no sexto portal. E no sétimo, ela foi despida de suas vestes reais. Nua e curvada sobre si, ela adentrou os salões do mundo inferior.

Uma vez após outra, a cada portal, os símbolos de poder, prestígio, riqueza e ofício  foram-lhe retirados. Uma vez após outra, a cada portal, a retirada de alguma coisa a mais que a cobria era não esperada. Uma vez após outra, ela diria: “O que é isto?” e obtinha como resposta: “Quieta, Inanna, os caminhos do mundo inferior são perfeitos. Eles não devem ser questionados.”

(continua...)

XELODA E BABOSA (ALOE VERA)





XELODA E BABOSA - UMA ÚLTIMA PALAVRINHA

Embora não esteja mais usando esse medicamento, gostaria de compartilhar aqui uma descoberta que fiz para combater os efeitos colaterais nos pés no uso do Xeloda. Descobri que massagear os pés com seiva da babosa várias vezes ao dia alivia em muito os desagradáveis efeitos na sola dos pés. Fica aqui o recadinho, esperando que façam bom uso. Usei,  tanto o gel da babosa arborens, quanto a barbadensis. Batia no liquidificador e guardava na geladeira. Em outros momentos, tirei a seiva da folha na hora e passei direto nos pés. Mas sempre guardando a folha bem acondicionada em filme plástico na geladeira. Depois que a pele absorvia o gel, eu usava o creme hidratante de uréia para intensificar os efeitos. O resultado foi muito bom! Aconselho a quem precisar, fazer a experiência com votos de muito sucesso!



quinta-feira, 10 de abril de 2014



Acho que tudo o que precisamos REALMENTE fazer é 

REALÇAR TODA A NOSSA BELEZA

Segue o conselho do artista!

GILBERTO GIL - REALCE


Não se incomode
O que a gente pode, pode
O que a gente não pode, explodirá
A força é bruta
E a fonte da força é neutra
E de repente a gente poderá

Realce, realce
Quanto mais purpurina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Realce, realce, realce, realce

Não se impaciente
O que a gente sente, sente
Ainda que não se tente, afetará
O afeto é fogo
E o modo do fogo é quente
E de repente a gente queimará

Realce, realce
Quanto mais parafina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De Real teor de beleza
Realce, realce, realce, realce

Não desespere
Quando a vida fere, fere
E nenhum mágico interferirá
Se a vida fere
Como a sensação do brilho
De repente a gente brilhará

Realce, realce
Quanto mais serpentina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Realce, realce, realce, realce...



quarta-feira, 9 de abril de 2014



"Se eu descobrir a história que a doença está contando, descobrirei a história da cura"
(Deena Metzger, poetisa e paciente de câncer de mama)


I am no longer afraid of mirrors where I see the sign of the amazon, the one who shoots arrows.
There was a fine red line across my chest where a knife entered,
but now a branch winds about the scar and travels from arm to heart.
Green leaves cover the branch, grapes hang there and a bird appears.
What grows in me now is vital and does not cause me harm. I think the bird is singing.
I have relinquished some of the scars.
I have designed my chest with the care given to an illuminated manuscript.
I am no longer ashamed to make love. Love is a battle I can win.
I have the body of a warrior who does not kill or wound.
On the book of my body, I have permanently inscribed a tree.
(Deena Metzger)


Eu já não tenho mais medo de espelhos onde eu vejo a figura da amazona, aquela que dispara flechas. 
Havia uma suave linha vermelha atravessando meu peito, onde uma faca entrou, 
mas agora um ramo circula sobre a cicatriz e percorre um caminho que vai de meu braço até meu coração. 
Folhas verdes cobrem o ramo, uvas caem de lá em suspenso e um pássaro aparece. 
O que cresce em mim, agora é vital e não me causa mal. Eu acho que o pássaro está cantando. 
Eu abandonei algumas das cicatrizes. 
Eu desenhei o meu peito com o cuidado dado a um manuscrito iluminado. 
Eu já não tenho mais vergonha de fazer amor. O amor é uma batalha que eu posso ganhar. 
Eu tenho o corpo de uma guerreira que não mata ou fere. 
No livro do meu corpo, tenho permanentemente inscrita uma árvore.

(Livre Tradução)


quarta-feira, 2 de abril de 2014



ADEUS XELODA

A vida é feita de adeuses, também. Minha jornada acompanhada do Xeloda chegou ao fim. Confesso que não lamentei, não chorei, não fiquei triste, não senti arrepios, não caí em depressão, não perdi o sono e nem tive pesadelos. Mas também não dei pulos de alegria. O xeloda é o meu 3º "affair" naquilo que ouso chamar de "romance" com a doença, sem  nada de sentimentos de amor por esse episódio, é claro. (Às vezes, tenho medo das palavras, ainda que proferidas de brincadeira!). Aliás, devo confessar exatamente o contrário: que já odiei a doença, sua recidiva e esse estar novamente na batalha tentando recuperar a saúde e obter a cura do meu corpo físico e emocional. Hoje, estou descobrindo aos pouquinhos, uma maneira nova de olhar esse momento de desarmonia em meu corpo, respeitando sua linguagem e buscando entender seu significado. É um novo olhar. Estou meio que tateando com cautela, curiosidade e respeito nessa zona de sombra e pouca luz ainda sobre a cura da doença. Em meu trajeto, busco um caminho, um entendimento, um aprendizado nessa travessia. Nada aqui é definitivo. Nada aqui é constante. Nada aqui é seguro. Nada aqui tem garantias. A começar, principalmente, pelos meus sentimentos que ora estão serenos e confiantes; ora flutuam, instáveis ao sabor de muitos ventos, tempestades e bonanças ao longo dos dias, semanas e meses. Tem dias em que me sinto ótima, em outros me sinto amedrontada, assustada, insegura... A doença, por sua vez,  revela sua instabilidade. Oscila. Tem humores. Um passo à frente na caminhada e, de repente, dois passos atrás. E há que se ter paciência, persistência e não desistir jamais!

A mudança do Xeloda decorreu não de sua neurotoxidade, mas sim, porque, ao se diminuir a dose para melhor enfrentar os efeitos colaterais do remédio, a droga diminuiu também seus efeito de contenção da doença e o resultado foi um lento, porém progressivo avanço do câncer. Confesso que fiquei surpresa com esse resultado. Achava que estava tudo sob controle. E parecia realmente estar. Mas os exames de imagem revelaram outra coisa.  E assim, a temporada Xeloda chegou ao fim. E com ela também a prisão a que ficaram submetidos meus lindos pezinhos que agora começam a dar sinais de bem-estar e estão me possibilitando voltar a caminhar. Dez meses ao todo de Xeloda. Oito meses afastada da "pista"! Engordei uns quase três quilos! Agora retorno, com todo entusiasmo. Adoro caminhar! Sou uma andarilha. Adoro o barulho dos passos dos meus pés no chão. Adoro sentir o vento fresco da manhã nascente vindo de encontro ao meu rosto e arrepiando-me a pele. Adoro ouvir o canto dos pássaros em algazarra porque o dia nasceu. E admirar as árvores em flor e os jardins das casas em silêncio tecendo estórias e chegar à beira do rio e ver a correnteza fluindo inexoravelmente sob um espelho dágua incendiado pelos raios do sol... Nesses momentos, meu peito se enche de alegria e louvor diante de tantas bênçãos e glórias! Por esse motivo fiquei feliz por abandonar o Xeloda e partir para um outro recomeço. Aposto nesta nova medicação, muito embora, ela também tenhas seus efeitos colaterais. Como todas, aliás!

Estou lendo um livro maravilhoso. O Caminho da Cura, de Marc Ian Barasch. Talvez de todos os livros que li nessa jornada em busca da cura, esse tenha sido o livro que mais está me emocionando. Cada colocação feita pelo autor me toca a alma de uma forma muito especial e me conduz a inúmeras reflexões e revisões de vida, da doença e atitudes em relação a tudo isso. O Caminho da Cura aponta para uma jornada em busca da cura não só física, mas também e sobretudo, uma jornada em busca da cura espiritual. Uma jornada da Alma. Nesse sentido, a visão da doença e a jornada da cura ganham novas perspectivas, assumem novos contornos e adentram outras dimensões. Estou muito sensibilizada pela leitura. Cada frase do livro tem uma sabedoria muito particular de quem passou pela experiência de uma doença grave - no caso dele, também, o câncer -  e essa comunhão levou a uma experiência transformadora. As mensagens ali contidas são tocantes, emocionam e apontam caminhos! É uma leitura mais do que recomendada, é necessária e importante e deve fazer parte do tratamento!


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

MEUS MARES, MEUS MEDOS, MINHAS TRAVESSIAS





MEUS MARES, MEUS MEDOS, MINHAS TRAVESSIAS...

Episódio nº 1


Às vezes bate um desconsolo, sentimentos que vão e vêm e se mostram, se revelam e saem inesperadamente por detrás de uma cortina de um palco mal iluminado e por um instante fugaz, brilham em cena, intrometendo-se fugidiamente no espetáculo até então tranquilo e calmo do meu dia. Nem sempre presto muita atenção pra eles. Não gosto da sensação de mal estar e abalo que eles me provocam. Pra ser sincera, nestes momentos me dá uma vontade rápida e grande de fugir e então procuro algo para aliviar esse desconforto: música, livros, pia pra lavar (água corrente é calmante, sabia?) ou qualquer outra coisa que me ocupe e me distraia com uma dose relativa de prazer.

 Refletindo melhor sobre isso, penso que faço errado. Há uma linha da neurolinguística que defende a tese de que a cada pensamento negativo que surge em nossas mentes, devemos combatê-lo com um pensamento ou afirmativa positiva. 

Isso sempre me soou meio falso, porque me traz uma sensação de negação. Gosto bem ao contrário: prefiro puxar o “fio da meada” e tentar descobrir o que está por detrás daquela sensação, qual é o “fantasminha” camarada ou não que está me perseguindo e me assustando. Trazer tais sentimentos para o centro de meu palco, jogar a luz dos holofotes internos sobre eles me assusta menos e me acalma mais. Toda vez em que me disponho a fazer isso, dessa forma, minha alma se sente mais acolhida e em paz. O problema é que nem sempre estou emocionalmente disponível para olhar isso com o afeto, carinho e atenção necessários. A mim me parece que estou sempre correndo, com pressa, ansiosa para chegar a algum lugar. Há sempre essa sensação do "engolir" o momento porque tenho que alcançar algum ponto. E no final, não há ponto algum a ser alcançado. São minhas ansiedades acumuladas nos fios de tantos anos, vivenciadas, entronizadas no meu dia-a-dia como se fossem normais, como se dele fizessem parte como o escovar dos dentes ou o banho diário. Conscientizar-se disso é dizer-se: É... tá na hora de mudar, garota, de ficar mais esperta, mais zen e partir pro abraço solto e o exercício a cada momento: 

  • um passo de cada vez
  • um dia de cada vez 
  • o foco no momento presente e 
o começar já, ainda que os pés me doam, meus dedinhos se abram em feridas e minhas lágrimas despontem frente ao querido espelho, espelho meu, me dizendo que mudar dói (algumas vezes ou quase sempre!), mas que assim é que é a vida! Pelo menos, em parte...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

ENVELHECER


(A minha humilde homenagem póstuma à minha mãezinha que faleceu em 13 de novembro próximo passado, com 86 anos de uma linda vida lúcida, cheia de amor, muita coragem e entusiasmo de viver e nos deixou órfãos e cheios de saudades e tristezas...)



envelhecer
atravessar a imaginária linha do tempo
e perder-se mil vezes nessa trilha 
mais mil vezes nela se encontrar.

envelhecer
equilibrar-se na imaginária linha da vida
e de pernas bambas, braços abertos, sorriso solto 
e com o rosto iluminado de amor e coragem
ir caminhando por sobre um fictício e invisível fio 
cujo fim se coloca
cada vez mais à frente.

envelhecer
e engravidar-se de mil beijos, gestando palavras, afetos e carinhos
e cobrir-se de emoção
e sem perder a razão
de peito aberto
chorar roto e profundo sua dor nas gretas do mundo

envelhecer
e descobrir
que a linha se partiu no fio dos dias
e então 
horas
minutos
segundos 
se esvaneceram...

e o fio se esgarçou
e os pés bambearam
e os dedos se feriram
e os braços se despedaçaram
e o espaço então se encheu de mil abraços alados
que num rufar de asas 
acolheram os fios soltos e já brancos de neve
e para outras pairagens iluminadas os conduziram
deixando no ar
um rastro de luz
uma dor aguda no peito
muitas saudades
doces lembranças
e muita tristeza...

na imaginária linha do tempo
em aberto
inacabados traçados 
riscos 
bordados 
desenhos por completar...

no ar
só voar... voar... livre voar...

e no fino fio desenhado no horizonte aberto
um ponto de luz a brilhar...





CAMINHOS, TRILHAS, ATALHOS, ESCOLHAS... DOR... RODOPIOS...
E A ATENÇÃO NO MOMENTO PRESENTE...

Leio muito sobre o fato de que sempre temos escolhas e somos livres para optar por este ou aquele caminho. Tenho dificuldades com essas escolhas. E nem sempre acho fácil escolher um caminho e nele permanecer, apesar dos acidentes em seu percurso me dando lições. O que quero dizer é que nem sempre consigo colocar em prática tanto quanto gostaria todas as opções que se me mostram como as mais adequadas diante de mim. Quando me dou conta, estou marcando “x” na resposta errada e seguindo uma trilha ou um atalho que já supunha ter deixado para trás, por ser reconhecidamente o menos adequado para mim. Minha amiga me diz que viver é um constante “Orai e Vigiai”; que voltar aos velhos hábitos é muito fácil e rápido, já que na grande maioria das vezes vivemos no piloto automático. E ela tem razão. Reagir é fácil demais. É quase fora de controle, caso a gente não esteja atenta. Uma coisa, porém, tenho descoberto e que me tem ajudado bastante: é a conscientização da emoção brotando no momento presente e na hora em que ela se dá. Se estou atenta ao que está ocorrendo dentro de mim, às emoções-sentimentos que estão rolando/disparando dentro de mim naquele exato instante, o gatilho emocional ou não dispara, ou dispara em câmera lenta, me dando tempo de interromper o seu curso e não provocar os estragos. Ou se chegar ao seu alvo final, chegar com pouca força para ferir ou machucar o outro. O problema é que nem sempre rola desse jeito. E aí, muitas vezes, é um Deus nos acuda! E tem horas que nem Deus acudindo, eu sossego na birra!

Além desse exercício de atenção e conscientização, uma outra coisa que forçosamente me impõe a mudança é a dor. Seja ela física ou emocional. Aliás, a emocional é lição, aprendizado do tipo “para a vida toda”. E se me recuso a aprender, ela volta de novo, insistente. Até que um dia eu me rendo e aprendo e mudo e troco a prosa por poesia!

Dizem que viver é um aprendizado constante. Acredito nisso. Mas penso que procurar ser um bom aluno na escola da Vida faz toda a diferença. E para isso, quando me olho, me digo: seja grata, esteja emocionalmente disponível, entusiasmada e pronta pro abraço e pro rodopio. Porque o mundo gira e a vida dá muitas voltas! E querendo ou não você baila junto e, às vezes num sapateado de tirar o fôlego! Melhor aprender a valsar  humanamente com leveza, suavidade e beleza! 

Que eu aprenda, Meu Deus! Um dia de cada vez! E com muitos anos de vida, saúde, paz e alegria pela frente! Obrigada, Senhor, seguido de 10.000 améns!


ENCONTRE ALEGRIA E ENTUSIASMO - OU SEJA, DEUS! - EM SUA JORNADA


Amei este texto do Spinoza. Penso exatamente assim. Sou apaixonada pela natureza: bichos, pedras, plantas, rios, cachoeiras, mares, noites de lua, estrelas no firmamento... Abraço cheia de entusiasmo este texto aqui, respirando Deus em cada palavra, em atitude de oração e silêncio... E divido com enorme prazer cada palavra dele com as pessoas que por aqui passarem e entrarem em contato com o sentimento aqui revelado. Muita saúde, paz e alegria em nossas vidas!


Deus segundo Spinoza 
(Deus falando com você)

Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrute de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tu alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz ... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da  eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demostra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.  Te sentes olhado, surpreendido? Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-se dentro ... aí é que Estou, batendo em ti.
Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu:
“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.
Para reflexão.

Baruch Spinoza.

(As palavras acima são de Baruch Espinoza – nascido em 1632 em
Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos
grandes racionalistas do Século XVII dentro da chamada Filosofia
Moderna. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador
do cristianismo bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em
Pleno Século XVII.)



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A DOR FAZ PARTE DO PROCESSO. A RAIVA TAMBÉM.



SEM NEGAR SENTIMENTOS: A RAIVA

Digo para mim mesma, inúmeras vezes, que a raiva que muitas vezes sinto é um sentimento legítimo e necessário. Ela brota de minhas entranhas sem pedir licença. Escapa ao meu controle. O que faço com ela é que pode vir a ser ruim. Ou totalmente bom. Estou no aprendizado desta emoção tão forte. Minha amiga psicoterapeuta me manda usá-la para os fins que quero alcançar no combate da doença. Ou seja, a raiva não é de todo ruim. Todos precisamos de uma boa dose de agressividade para abrirmos nosso caminho na vida. Sem essa energia de indignação, nada feito! Então, agradeço por ser uma pessoa que reage com força, que não se deixa abater com facilidade, que cai no chão, mas logo em seguida, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima e parte novamente pra luta. Sou uma pessoa assim: encaro as tempestades e seus raios e trovões de frente. Mas com o devido respeito e temor! 

Outro dia, assistindo ao programa SEM CENSURA na TV Brasil, vi um especialista nesta área emocional dizendo que há cinco sentimentos básicos que nos invadem e que são normais e ultranecessários. São eles: (1) o Medo; (2) a Raiva; (3) a Alegria; (4) a Tristeza e (5) não consigo me lembrar, sorry. Lembro-me de que ele disse que a depressão era resultado da raiva reprimida, mal resolvida e transformada em sentimento de impotência diante de uma realidade em que a pessoa não se sentia com competência para mudar. Daí que a raiva, vista sob o ângulo de uma força que busca sua expressão é uma bênção. Ela somente se torna em algo negativo, quando passa a ser usada para socar paredes, derrubar torres gêmeas e de uma forma destrutiva, agredir pessoas e coisas. Esta é a raiva mal resolvida, que se transforma em agressão e morte e, por isso mesmo, deve ser combatida, pois é destrutiva. Nada tem a ver com a vida. Essa mesma energia, porém, quando devidamente canalizada em sua expressão - seja para as artes, os exercícios físicos, esportes, a literatura e outras modalidades positivas correlatas - se torna uma excelente forma de combater o mal que nos aflige e, até mesmo, fazer surgirem resultados surpreendentemente positivos. É o despertar  de uma energia natural cuja expressão de forma criativa nos reconecta com nossas poderosas forças também criativas e curadoras. Portanto, Vamos nessa: transformemos nosso "lixo" em ouro e ressurreição! E que Deus nos abençoe nessa empreitada!


domingo, 24 de novembro de 2013

ADORO RETICÊNCIAS...




SOMOS TODOS UM!




O SONHO DA VIDA






REFLETINDO EM DÓ MAIOR...



Após praticamente 5 meses tomando mingau de aveia vinte oito vezes em 14 dias, mais água de coco,  para contornar os efeitos colaterais do xeloda, minha paciência chegou ao fim! Estou de mingau de aveia até a alma. E não “guento” mais nem sentir o cheiro! Não sei bem se foi por isso, quero dizer pela interrupção do mingauzinho (mantive a água de coco sem muita disciplina), os efeitos do xeloda brotaram com toda força nos meus lindos pezinhos que ficaram vermelhinhos, sem poder praticamente tocar no chão e muita ardência. Abriu também uma feridinha, como se fosse uma frieira nos dois últimos dedinhos de cada pé. E minhas perninhas ficaram bem inchadas. Uma beleza de defeitos colaterais! Minha médica diminuiu 500mg e suspendeu por 14 dias o medicamento. Mas quando voltei a tomar, a primeira semana foi bem, mas já a partir do 10º dia eu estava sentindo as ardências, mais pontadas, mais aquela sensação de pisar sobre areia quente e etc. E aí fiquei com raiva do xeloda com vontade mandar ele pro espaço. E disse pra minha médica: - Olha, sem cabelo eu vou a Nova York, mas sem pés não ando nem dentro de casa. Aliás uma das coisas que xeloda me impôs foi parar de caminhar. Logo eu que sou uma andarilha assumida e adoro caminhar. Foi um golpe baixo e muito feio desse medicamento. Parei com as caminhadas obrigatória e forçosamente. Os exames de imagem, porém, mostraram que o medicamento está atuando bem no meu organismo, daí eu precisar ter um pouco mais de paciência e continuar com o ele. Pelo menos, como diz minha médica, por mais algum tempo. E depois estudaremos um outro protocolo. Estou ansiosa pelos novos protocolos. E ao mesmo tempo, consciente de que os efeitos colaterais são quase sempre inevitáveis em todos eles. Tô na batalha, procurando ter energia e bom humor pra encarar o câncer de frente. Nem todo dia, fico bem emocionalmente. A raiva é um sentimento muito presente, forte e constante nas minhas reações diante do câncer. Já olhei o xeloda como um veneno. Fiquei com raiva do medicamento. Agora estou mais em paz. Minha médica tornou a suspender por mais 14 dias o remédio para contornar os efeitos e reduziu a dose em mais 150mg. E me avisou que cheguei no limite da redução: 20%. Vi numa bula que o limite poderia ser de até 25%. Mas não quis entrar nesse mérito com ela. Pelo menos, por enquanto. Vamos ver até quando aguento “xelodar”. Há muito trabalho pela frente. Tenho relaxado bastante comigo. Muitas coisas interferindo. E a pior de todas e a mais triste, foi a perda recente de minha mãe em seus 86 aninhos de uma vida tão linda! Era uma “garotinha” ainda, bastante lúcida, antenada na vida, que lia jornal todos os dias, adorava ler livros, fazer palavras cruzadas, acompanhar as estórias dos netos, seus namoros e projetos de vida. Um câncer de cabeça de pâncreas a levou. Rapidinho: 3 semanas. Mal deu tempo de nos conscientizarmos da doença e os efeitos devastadores já se mostravam avançados e extremamente devastadores. A bênção ficou por conta do pouquíssimo sofrimento que ela teve. Ainda estou enxugando as lágrimas que não  se cansam de brotar, derramando-se em lembranças embrulhadas em muitas saudades.

Hoje vejo a morte como um segundo nascimento. Vejo este lindo Planeta Terra como um grande útero. Aqui estamos encarnados num processo de gestação para crescimento, aprendizado e evolução e quando chega o momento já previamente determinado pelo Além, fazemos nossa passagem e somos dados à Luz, novamente. É preciso que esta hora seja tão bem acolhida, respeitada, cheia de carinho, silêncio, oração e atenção como  é a hora do nascimento para esta vida. A hora da saída é uma hora sagrada. É preciso que saiamos leves e com suavidade. Sem tubos, sem UTI’s, sem nenhuma intervenção da medicina moderna que nos deixe desassistidos e longe de nossos familiares, ao abandono das máquinas. Minha mãe se foi cercada de nosso imenso carinho e de mãos dadas conosco, numa passagem leve e suave. Como realmente deve ser o nascimento para uma outra vida além da vida! E estou convicta de que ela está bem onde está e cercada de muita luz espiritual e seres espirituais iluminados porque ela era aqui na Terra essa pessoa também iluminada que por onde passou, clareou os caminhos com sua palavra de amor e compreensão e seus gestos de delicadeza, atenção e carinho! Que Deus a tenha com muito amor!