ONDE TUDO COMEÇA

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

TERRITÓRIO SAGRADO



TERRITÓRIO SAGRADO: Crie espaço para o seu...


“Isso é uma necessidade absoluta para qualquer um. 
Você precisa de um grupo, uma determinada hora ou um certo dia em que não leu as notícias da manhã, não sabe quem são seus amigos, não sabe o que deve a quem quer que seja, nem o que lhe devem. É um lugar onde você simplesmente vivencia e traz à tona o que você é e o que pode ser. É o lugar da criação incubativa. No início, você pode achar que nada acontece, mas, se você tem um lugar sagrado e se serve dele, alguma coisa eventualmente acontecerá.” 
(JOSEPH CAMPBELL)


“Todas as culturas têm seus territórios sagrados, um espaço de proteção, calma e serenidade, nos quais os indivíduos podem realizar seus ritos de conexão com Aquele que concebem como divindade. Locais para renovar as forças, espaço de reverenciar ancestrais, pedir proteção, inspiração e harmonia. Nesses territórios se reúnem símbolos que facilitam um processo de resgate de um chão original, uma verdadeira casa no sentido psíquico.”

(Angela Philipinni)



EXPRESSE SEU SOFRIMENTO. PINTE A SUA DOR



(FÚRIA - MAHR)



FAÇA USO DA ARTETERAPIA
EXPRESSE SEU SOFRIMENTO. 
PINTE A SUA DOR



Muitas vezes, em momentos de intenso sofrimento e tumulto emocionais, não sabemos para onde ir, o que fazer ou como lidar com uma determinada situação específica que nos abala feito um terremoto ou uma tsunami. A confirmação do  diagnóstico de uma doença grave como o câncer, ou ainda, a informação sobre a progressão da doença desperta em nós não só medos e arrepios diante da vida e da possibilidade de perdê-la como outros sentimentos intensos e devastadores. O iluminado Dr. Bernie Siegel fala que não temos que editar sentimentos nos dizendo que deveríamos nos sentir desta ou daquela maneira. Temos sim é que reconhecer a emoção que está naquele exato momento nos invadindo e preenchendo todos os poros de nosso ser com toda a sua verdade e buscar um canal de expressão para ela de uma forma adequada e saudável, sem nos machucarmos. Diferente de buscar um remedinho tal como um calmante, penso que podemos nessas horas encontrar saídas artísticas e terapêuticas que nos movem e nos comovem esteticamente e nos  trazem uma excelente forma de alívio. Podemos optar por nadar, correr, caminhar, chorar ou... desenhar, pintar, dançar, cantar, etc… 

Lembro-me de uma vez estar totalmente tomada pela raiva diante de uma situação que me era totalmente desfavorável. A energia que brotava daquele sentimento era quase que incontrolável. Não dava para sair quebrando tudo ao meu redor. Aliás, não sou de quebrar nada nessas horas. Detesto esse tipo de comportamento ou reação. Mas também não queria ficar com meu corpo no descontrole, tomado pela forte emoção. E uma saída que me ocorreu naquela ocasião e que hoje julgo ter sido a mais amorosa possível para comigo mesma, foi pegar meus gizes de pastéis oleosos (oil pastels) e uma folha de papel canson e sair tingindo tudo de cores. Saiu esse quadro acima que ao final eu nomeei de “Fúria”, mas que, quem o olha, em nada percebe seu tom furioso.. Muito pelo contrário. A pintura é um caminho numa floresta. Para minha surpresa, todas as pessoas que até o momento o vêem, acabam por gostar. E eu fiquei me sentindo aliviada e muito feliz cpm o  resultado: descarreguei ali toda a raiva que havia me invadido e experimentei  uma emoção  gratificante e restauradora de boas energias. Acho que é por aí que caminha a arteterapia.




domingo, 18 de dezembro de 2016

UM ABRAÇO, UM CAFUNÉ, E UMA XÍCARA DE CHÁ BEM QUENTE, POR FAVOR!




Na cadência de um diagnóstico: Um abraço, um colo, um cafuné e uma xícara de chá bem quente, por favor. O outro ainda é meu melhor cobertor!

Diante do diagnóstico de um câncer, não há quem não se sinta como personagem de uma divina comédia ou assombrada tragédia: perdido numa selva escura, solitário, sem sol e sem saída, com os sentimentos embaralhados, o chão tremendo sob os pés, as emoções se chocando na cabeça... O mundo desaba e os portais do Além se abrem, magicamente, ao som de uma valsa: Medo, medo, medo


O melhor remédio para uma hora dessas ainda é um colo macio, um abraço aconchegante, um ouvido acolhedor, um cafuné aquecendo o frio na alma e desfazendo com carinho os nós da confusão. E, complementando, uma xícara de chá bem quentinho entrando devagarinho pela garganta adentro, acalmando o corpo com calor e amornando as células.

Ainda, de quebra, acrescentem-se como ingredientes obrigatórios:
- um bom livro,
- um bom filme,
- uma boa música
- a presença carinhosa de nosso bichinho de estimação
- e piadas como gargalhadas medicamentosas!

Tudo isso junto e misturado nos devolve a paz abalada e uma quietude absolutamente necessárias para seguirmos confiantes nossa viagem pela trilha escura, sombria, absolutamente desconhecida e assustadora em busca da claridade necessária para encararmos o desafio!

O médico vem sempre depois!


sábado, 17 de dezembro de 2016

RESPIRA..




NA ESCUTA DE SI MESMO


"Confie na sua percepção do que é certo para você.
Confie no seu corpo, mente e espírito - todo o seu eu - para lhe dar consciência do que você é.
Escute os outros, 
Ouça o que eles dizem,
e então aceite como verdade somente aquilo que lhe parecer válido.
Você não é infalível, comete erros, mas é sua melhor autoridade."

(Jane Rhyne, em Arte e Gestalt)




Nem sempre sabemos o que é melhor para nós mesmos mas é importante estarmos na escuta interior, conectados com nossos sentimentos porque a verdade mora em nós, em nosso interior e ela muitas vezes grita… Nós é que ou nos fazemos de surdos, ou não queremos ouvir!

Muitas vezes é essa falta de sintonia que acaba nos levando a trilhar caminhos equivocados. Quando recidivei, meu corpo começou a me enviar sinais de desconforto. Muita embora eu tenha me queixado junto ao meu oncologista na época, ele não valorizou de modo algum minhas queixas e a tudo atribuía a palavra "estresse". Foram duas consultas num intervalo de seis meses. Lembro-me de que, por conta de tais desconfortos, eu ter ido me consultar com um ortopedista e um cardiologista para ver o que efetivamente poderia estar ocorrendo e, após exames, ficar constatado de que nada havia de errado na área ortopédica ou cardiológica. 

Quando a coisa ficou insuportável e eu me disse que era impossível que tudo estivesse bem e meu corpo simplesmente enlouquecido, eu voltei ao meu oncologista novamente. Acabei - para minha grande sorte, ainda que de forma tardia! - sendo atendida pela sua assistente que me pediu uma série de exames e, aí, ficou constatada a recidiva e já em nível de metástese. 
Tempo decorrido entre a primeira queixa e a constatação: 11 meses!!! E o que o oncologista me disse? "Seu câncer é um câncer do tipo indolente." Na verdade, indolente era ele como médico!

Não me culpo por não ter sido mais coerente com o meu corpo, mas peço-lhe sempre perdão por não ter sabido valorizar com afeto e atenção sua preciosa mensagem!!!



A NATUREZA CURA...

Em seu lindo livro “Podemos dizer adeus mais de uma vez”, David Servan-Schreiber, fala da importância de cultivarmos uma calma interior em nosso processo de cura: 
“Não devemos nos esgotar,
Não devemos nos sobrecarregar.”



E ele afirma que uma das melhores formas para cultivarmos o silêncio e a paz interiores tão importantes para o processo de cura, é: 








- Ficarmos perto da natureza e dos ritmos naturais; 
- Frequentarmos bosques, montanhas, rios, cachoeiras… 
- Nos religarmos a todo esse espetáculo vivo da natureza...



Tudo isso nos reconecta com o ritmo das estações, 
o pulsar das marés, 
as fases da lua 
e tem um incrível poder de nos recarregar as baterias físicas e emocionais. 









sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

ORAÇÃO DO DIA


Oh, Pai,
Dê-nos hoje o alimento essencial à nossa vida.
Mas, dê-nos, 
sobretudo, 
o maná do qual tanto necessitamos
 para continuarmos 
nossa travessia por este deserto 
em direção ao oásis da cura possível.

Amém!



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

IMPOSSÍVEL DEZEMBRO


Impossível não respirar Dezembro
em sua carruagem ardente de fogo e luz...
Flamboyants flamejam em flores
Exalando seu perfume e cores no ar
Na trova do dia,
cigarras cantam
abelhas zunem
besouros zumbem
pássaros gorjeiam
E no céu azul
um vento-viração impregnado de silêncios e instantes
vai movendo as nuvens
em novos desenhos,
novas formas
e frescos adornos.
Desatemos as sandálias:
O verão chegou!
É hora de embelezarmos os pés e sairmos por aí a andar descalços
seja por sobre o tapete de um chão florido
ou por sobre a areia molhada do mar...



APRENDENDO A ORAR



A cada dia...


Ore como a montanha
Ore como a árvore
Ore como o oceano
Ore como o céu estrelado
Ore como a lua cheia nascendo no mar
Ore como o sol se pondo na linha do horizonte
Ore como o botão de flor se abrindo
Ore como a fruta amadurecendo no pé ao sol da estação
Ore como a semente se abrindo no ventre escuro da terra
Ore como as raízes nas profundezas da terra
Ore como o deserto em seu silêncio
Ore como as nascentes no ventre das montanhas
Ore como o vento uivando na noite
Ore como a Terra girando em torno de si mesma e em torno do Sol


Ore
Como uma abelha recolhendo o pólen e fabricando o mel
Como uma cigarra cantando numa manhã de verão
Como um cão latindo na noite
Como um gato se movimentando na escuridão
Como uma ave voando no céu
Como uma borboleta saltitando de flor em flor
Como um galo cantando na madrugada
Como as baleias e os peixes no mar
Como as ondas quebrando nos rochedos
Como um recife de corais tingido de vida e cores
Como uma concha se abrindo no mar
Como um vulcão adormecido
Como uma lava ardente jorrando
Como um céu de estrelas faiscantes na escuridão da noite.


Ore com louvor
Ore com amor
Ore com gratidão.


Ore com a Vida.
Ore com a Morte.


Ore sem súplicas
Sem medos
Sem carências
Sem desejos.


Ore e comunge
Ore e abençoe
Ore e respire.

Ore sem palavras
Sopro a Sopro
e silenciosamente descubra
a essência do que você é.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

TIM-TIM! GLAMOUR É FUNDAMENTAL, MEU BEM!



Disse para uma amiga que em minha vida o glamour é fundamental! E ele está, entre outras coisas, dentro de uma bolsinha de maquiagem onde não podem faltar o blush, o batom, o jogo de sombras, o lápis de sobrancelhas, uma base matizante. E o protetor solar, claro! Faço quimioterapia e ele é de uso obrigatório. É com esses artefatos que coloro as tintas de meu dia, a começar pelo meu rosto! 

Faça a chuva ou faça sol, o que não pode faltar é o glamour e o encantamento pela beleza, pela leveza, pela graça de se estar viva e desperta dentro de um novo dia! Já acordei pela manhã muitas vezes e ao olhar-me no espelho, não me reconhecer e me perguntar: 
- Quem é você?
E me responder:
- Sou aquela que fui! Tão diferente agora com todo este novo visual. Oh, espelho, espelho meu, em que face oculta você me escondeu? Ou em que antigo verso e reverso de mim mesma o meu rosto se perdeu?

Já me senti mais assustada diante desse reflexo-reverso-refluxo que não me reflete como eu gostaria. 
Já me senti mais triste. 
Já me senti mais arrasada. 
Mas agora não! 
Descobri que tenho opções. Sempre! 
Que a vida pode ser reinventada! 
Que meu espírito pode ser elevado!
E que meu visual pode ser metamorfoseado. 
Tenho um lado camaleoa, sim, e por que não revelá-lo? 
Sagrada e mágica bolsinha de maquiagem! Eis nela, a minha grande varinha de condão! Abençoadas cores e texturas que me devolvem ao rosto o ar de alegria e juventude perdidas! Com ela, (re)descubro que pode faltar tudo, menos o glamour e o encantamento diante de mim mesma e da vida que alegre e ruidosa desponta a cada manhã me trazendo o canto dos pássaros, a chuva ou o sol e, diante do espelho, o meu rosto colorido e assanhado em risos, regalos e prazeres de poder viver a magia e o fascínio da festa de um novo dia para o qual fui convidada a bailar!
A grande sedução é estar viva!
Tim-tim!!!






domingo, 11 de dezembro de 2016

LIDANDO COM SENTIMENTOS...



Não te preocupes com aquilo que alguém suponha que tenhas que sentir. 
Limita-te a senti-lo. 
Não julgues teus sentimentos. 
Aos sentimentos, não temos que julgá-los. 
Se estás te perguntando o que deves fazer com eles, as melhores pessoas com quem deves falar sobre o assunto são aquelas que verdadeiramente possam te entender; 
que passaram pelo mesmo problema e o enfrentaram com os mesmos sentimentos. 
Onde encontrar essas pessoas? 
Procure um grupo de apoio!
(Bernie Siegel)



Há tempos atrás eu estava me sentindo muito mal nessa fita que já vem rodando há bastante tempo: o tratamento de uma recidiva do câncer. Meus sentimentos oscilavam - e ainda oscilam bastante! - e, entre altos e baixos, eu ora ria, ora chorava. Meu foco estava muito voltado para a doença. Já de manhã, ao acordar, eu me lembrava e me dizia: tenho câncer. Na verdade toda essa angústia era o resultado do aumento dos fatores limitantes e incapacitantes que vinham num crescendo se manifestando fisicamente em meu corpo. Sentir o câncer em seu processo de evolução visivelmente dentro de mim, perceber como ele mudava meu comportamento e disposição, alterava minha energia e me deixava pra baixo era algo que eu não podia negar. Muitas e muitas vezes, num dia lindo de sol, minha vontade era a de não levantar, de ficar ali deitada, sem vontade de abrir os olhos, sem vontade de me mexer. Os pássaros cantavam na manhã nascente, os cães latiam, as flores se abriam no jardim exalando seu perfume, o vento agitava as folhas das árvores, o céu se mostrava azul, ora com nuvens, ora sem e... eu ali, a tudo vendo, porém mergulhada numa tristeza infinita... 

Como sempre, não luto contra isso. Aprendi que essa é a melhor forma de sair da crise. Deixo-me, de certa forma forma, arrastar-me por essa corrente, esse fluxo interminável de sentimentos fluindo confusa e continuamente até que ela naturalmente se esgote e chegue ao fim. Apenas tomo consciência dessa tristeza. Dou-lhe espaço. Deixo que ela se mostre, ganhe forma, textura, cor, perfume, movimento, sabor... Sem julgamentos. O mal estar me incomoda muito. Mas deixo rolar exatamente assim como está, sem procurar nada mudar. O máximo que faço é, em alguns momentos, procurar abrigo para essa tempestade emocional nos livros, nos filmes, na música, em atividades que me dêem prazer e me transportem, como num tapete mágico, para outros mundos, outras dimensões. Outras vezes, me permito fazer apenas o básico para a sobrevivência: comer, me banhar, dormir, descansar... Nesse processo, em alguns dias, me transporto mais lentamente. Em outros, mais rapidamente. Não apresso e nem diminuo o ritmo. Procuro não interferir. Respeito. Fico de observadora. E, sempre que possível, procuro rir da desgraça de alguma forma! Às vezes, consigo. Outras, não! É imprevisível!

Muitas e muitas vezes sinto necessidade de compartilhar com alguém ou em um grupo meus sentimentos. Mas aqui na minha cidade não existe um grupo. E com as pessoas mais chegadas e mais íntimas com quem tentei abrir o coração, poucas foram as que conseguiram se colocar emocionalmente disponíveis numa atitude apenas de escuta e acolhimento, que é tudo o que de fato queremos. 
Como afirma Bernie Siegel:
“Às vezes é difícil compartilhar o que se sente com os membros da família, porque de alguma maneira, querem “curar” a situação. E você tem que lembrar a eles que  quando você expressa raiva ou medo, não está pedindo a eles que o cure e, sim, que estejam ali para apoiar-lhe fisica e emocionalmente, por exemplo, dando-lhe um abraço para que você sinta que fizeram algo mais por você do que simplesmente escutá-lo. “

Então já que não consigo abrir o coração com alguém, desato meus nós comigo mesma: escrevo! Ou então gravo um diário de voz! Ou mesmo um vídeo. E tudo isso me faz muito bem, me lava a alma, me desanuvia, me deixa me sentindo mais leve!

Houve um tempo em que eu me preocupava com aquilo que os outros iam pensar a meu respeito com relação aos sentimentos que brotavam de forma desordenada e que, por vezes, me pareciam inadequados: raiva, medo, ansiedade, frustração, tristeza, angústia... Hoje, abandonei de vez essa inquietação. Pouco a pouco vou me permitindo ser exatamente quem eu sou, sem me preocupar com o que possam pensar de mim a respeito da forma como venho emocionalmente lidando com a doença. Não quero “sábios” conselhos. Quero, sim, um colo que maciamente me acolha e um silêncio que generosamente se abra à minha escuta. Quero um lugar que se mostre amplo e vazio e onde eu possa me aninhar e deixar parir minhas alegrias, tristezas e fantasias, sem me esquecer de que eu sou a especial pessoa que me tira ou me deixa ficar na escuridão!


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

HOJE NÃO! SEM GLAMOURIZAR O QUE DÓI, PLEASE!




O câncer não tem nenhum “glamour”. É uma doença que assusta, apavora, nos tira o chão, desassossega, nos leva ao desespero. Diante de seu diagnóstico não há como ficar indiferente. Ele nos coloca cara a cara com a possibilidade de finitude de nossa existência e nos faz redimensionar vida, tempo, relacionamentos, atitudes, comportamentos, valores.

Tenho visto muitas pessoas na net colocando posts cheios de charme e graça no encarar a doença. Acredito que elas estejam sendo sinceras com seus sentimentos de força, coragem, alegria, entusiasmo no encarar a jornada. Ser autêntico é fundamental nesse enfrentamento do problema. Ter humor mais ainda! Até porque nossas células sabem perfeitamente se estamos alegres ou tristes se estamos mentindo ou sendo verdadeiros  conosco mesmos. Suponho, porém, que  tão importante quanto olhar a doença por um lado luminoso e bem humorado é também se dar conta de seu lado sombrio, entristecedor, perturbador, limitante, incapacitante e ameaçador. E o quanto a consciência disso em alguns momentos pode nos levar a rios de lágrimas. E abaixo a auto-censura ou auto-recriminação. Somos essa gama de sentimentos alternados borbulhando no grande caldeirão de nossas emoções. Honrar e respeitar tudo isso reconhecendo sua existência dentro de nós é absolutamente fundamental. A percepção da leveza ou do peso também faz parte da cura. 

Em seu livro “O Paciente como Ser humano”, Rachel Naomi Remen afirma: “Tenho uma resposta enérgica para quem chama a doença de “mestre” ou que se refere a ela como “bênção”, afirmação comum nos livros que tratam do corpo-mente.”
Diz ela: 
Com frequência, a doença é brutal, cruel, apavorante, dolorosa e solitária. Entretanto os seres humanos podem enfrentá-la e crescer. Talvez possamos considerar o crescimento como a mais poderosa das estratégias para lidar com a doença. Minha experiência sugere ser mais correto dizer que qualquer coisa positiva que venha da doença não é uma função ou característica da natureza da doença, mas dos seres humanos e da força do espírito humano: a infinita capacidade das pessoas para acolherem a vida nas circunstâncias mais difíceis.

Penso que diante dos grandes desafios que a vida nos apresenta ao longo de nossa caminhada e dos quais o câncer - entre outros muitos! - pode vir a ser um deles, cabe nos fazer as seguintes perguntas(além de outras tantas pertinentes):

1.O que eu posso fazer com isso?
2.Como eu cresço diante disso?

3.Como posso transformar isso em um portal de sabedoria e iluminação para meu crescimento pessoal e não um obstáculo?


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

CONFIE EM VOCÊ!



Eu procurei incessantemente por alguém maravilhoso

Que sairia da escuridão


 e mudaria minha vida.

Nunca me passou pela cabeça


 que essa pessoa poderia ser eu.

(Anna Quindlen)


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ORAÇÃO




Oh, Pai
que a cada dia que desponta
eu saiba aprender como oferecer
amorosa e humanamente
a todos os seres vivos que me cercam
- bichos, plantas, pessoas -
a profundidade de minha presença
e a delicadeza de minha atenção.

Amém!



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

NA TRIDIMENSIONALIDADE DO SER



NA TRIDIMENSIONALIDADE DO SER: Dando adeus às ilusões...

Compartilhando reflexões sobre o muito do que eu nada sei.

Diante da morte, somos todos solidários em nossa imensa pequenez. Cada tragédia que acontece e a revela despudoradamente tem essa capacidade de coletivamente nos levar a redimensionar nossas extensões: altura, largura e comprimento. Despertamos para o nosso tamanho, com seu início, meio e fim. E nos assustamos ao percebermos que nossa finitude nesse universo tridimensional em que habitamos é tão simples como uma bolha de sabão voando pelo espaço em sua infinitesimal fração de segundos: absolutamente precária, incerta, fugaz... Porque somos, de fato, isso, uma perplexa bolha em sua infinitesimal fração de segundos circulando tão somente no aqui-e-agora por esse espaço-tempo que, em sua inerente sideralidade, abriga milhares-e-milhares-e-milhares-e-milhares-de-anos-luz numa imensurável e quase incompreensível medida! 

E, entre outros sentimentos insuspeitos, nosso medo maior ainda continua sendo:
a explosão da bolha no ar, 
a queda no vazio, 
o coneglamento de nossa imagem e do som que por ela respira 
e nossa mais absoluta falta de clareza acerca do mistério que tudo isso envolve. 


Talvez a morte seja mesmo o despertar de um sonho!



domingo, 20 de novembro de 2016

A GRAÇA DE VIVER...


20 nov 2016

O dia amanhece transparente de azul com muita luz no céu e nuvens mansamente por ele deslizando, num movimento aparentemente  invisível. O pé de manequim em frente a minha janela dança sob a luz do sol tocado pelo vento. Esbanja alegria! Os bem-te-vis cantam... os pardais na trepadeira em frente estão em alvoroço. 




Rua calma. É domingo. 
Acordo preguiçosa. São 10h da manhã. Passo em revista os pensamentos que surgem à cabeça. Alguns borbulham tristezas. Rapidamente procuro dentro de mim novas emoções que me alegrem, me despertem para a beleza da vida, que me façam sentir grata e renascida diante deste novo dia tão lindamente luminoso  se oferecendo como um presente glorioso para mim. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

TEMPO-CORPO



Tempo é tempo.
Tempo foi.
Tempo é.
Tempo será. 
Ou não!
Vivo o tempo em meu corpo 
Sempre em mutação.
Tempo sou:
Pequenino ponto em movimento
na linha do infinito!



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

TECENDO A MANHÃ



De minha janela espio a rua.
Uma mulher vestida de rosa passa pedalando  sua bicicleta. 
Uma criança alegre e saltitante  vai pela calçada de mãos dadas com  a mãe. 
Um estudante de mochila às costas caminha apressado em direção à escola. Parece sonolento.
Pessoas entram na padaria e dela saem com seu pão que suponho quentinho para o café da manhã. 
Bem-te-vis alegres inauguram o dia. 
Muito embora o céu tenha um ar luminoso, o sol brinca de se esconder por entre as nuvens.
No chão do jardim, folhas e flores caídas sob a chuva da noite.
As horas escorrem dentro e fora de mim como água de fonte jorrando intermitente. 
Em cada célula de meu corpo pulsa um ritmo incessante e silencioso. Sou feita dessa dança.
Sou feita desses pequenos incidentes  afetivos e emocionados entrelaçando-se em meu ser em cada momento-movimento.  
Uma ordem amorosa rege meu corpo.
Minha alma agradecida vibra. 
Sou essa consciência. 
Entre sons e silêncios, tão longe e tão perto, inaudíveis universos desfilam.
Mágica da vida. Dentro de mim habita seu feitiço.
Fora de mim, também.
Meus olhos só vêem solidez.
Ilusão que adoça meus sentidos. 
Absoluta prova de meus limites,
Fantasias...
Bolhas de sabão…
Mistérios da encarnação…